O QUE VOCÊ LÊ

De uns anos para cá, costumo começar a ler mais de um livro ao mesmo tempo. Mas logo um deles me captura, e eu mergulho. A lista é grande. Destaco aqui três romances escritos por mulheres que me capturaram recentemente. O crime do cais do Valongo (Malê, 2018), de Eliana Alves Cruz, é um romance policial que viaja de Moçambique ao Rio de Janeiro do século XIX, para a antiga zona portuária que circundava o Valongo, cais que recebeu um imenso número de cativos africanos em seus anos de atividade. Além da boa trama, a reconstituição de temporalidade, costumes, cenários é impressionante. Com armas sonolentas (Companhia das Letras, 2018), de Carola Saavedra, fala de mulheres, identidades e desidentidades, desterro, abandono, desamparo. Com suas personagens, viajei até a Alemanha contemporânea e andei pelo Brasil urbano e profundo. O som do rugido da onça (Companhia das Letras, 2021), de Michelliny Verunschk, me levou para a Amazônia do século XIX e me fez viajar também para a Alemanha, com as crianças Iñe-e e Juri, arrancadas de suas aldeias por viajantes alemães, num episódio cruel dos muitos que há na história desta terra que maltrata tanto seus povos originários. Depois de fazer esta pequeníssima lista, reparei que todos os livros escolhidos têm viagens transatlânticas no enredo. Suponho que seja uma das minhas obsessões. 

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Deborah Dornellas é brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro e migrou com os pais para Brasília, onde cresceu. De 2011 a 2019, viveu em São Paulo. Escritora, jornalista e aprendiz de artista plástica. Mestra em História e pós-graduada em Formação de Escritores. Em 2012, publicou Triz (In House), reunião de poemas. Desde 2013, integra o Coletivo Literário Martelinho de Ouro. Tem poemas, contos e ilustrações publicadas em diversas revistas literárias (Mallarmargens, Germina, Gueto, Ruído Manifesto, Escrita Droide, Laudelinas, entre outras). 

Seu romance de estreia, POR CIMA DO MAR (Patuá, 2018), foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2019 e venceu o Prêmio Literário Casa de las Américas 2019, na categoria “Literatura Brasileira”. 

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