• Capitolina Revista

Antônio Torres

edição bilíngue




Essa Terra/ 10º. Capítulo da 1ª. Parte (Essa Terra me Chama).

(em Português)


Eles me pegaram pelas orelhas e pelo pescoço e bateram a minha cabeça no meio-fio da calçada. Berrei. Que meu berro enchesse a tua deserta, subisse pelas paredes dos edifícios, entrasse nos apartamentos, despertasse os homens, as mulheres e as crianças, rachasse as nuvens pesadas e negras da cidade de São Paulo e fosse infernizar o sono de Deus: - Socorro. Estão me matando.

Uma lua se acendeu ao meu terceiro grito e um homem chegou à janela. Ficou olhando. Eles continuaram batendo a minha cabeça no meio-fio. A luz entrou no meu olho, dura e penetrante, como a dor. Era um holofote, era um facho, era uma estrela. Foi nesse momento que a mão de papai apareceu, me oferendo um chapéu. – Cubra a cabeça. Assim dói menos. Tentei esticar o braço, mas quando a minha mão já estava quase agarrando o chapéu, levei nova pancada.

- Você me denunciou, Totonhim. Olhe o resultado. Fuxiqueiro de merda.

Eles riram.

- Despacho?

- Aguenta um pouco.

- Depois, como a gente faz?

- Joga o presunto no Tietê.

Papai desapareceu sob as águas. O chapéu boiava na correnteza.

Às margens plácidas, águas turvas.

Tietetânicas.

Ventos frios, homens fortes: do Sul e do Norte.

Tape o nariz e boa sorte.

- Eu não fiz nada. Juro por Deus.

Cacos da minha cabeça voavam e se espalhavam pela calçada.

Eles continuavam batendo.

- Passa o dinheiro, vagabundo.

- Eu não sou ladrão. Podem me matar, mas eu não sou ladrão.

- Então mostra os documentos.

- Esqueci em casa, já disse.

No princípio foi apenas a ilusão.

Eu ia correndo para o ponto final do ônibus, quando eles gritaram “Pega, ladrão!” Não ouvi. E se tivesse ouvido nunca iria imaginar que era comigo que estavam gritando. Continuei correndo e eles voltaram a gritar “Pega, ladrão!” Me desviei de carros, atropelei pessoas, me bati contra os postes, sempre correndo. Eu não podia deixar que aquele ônibus partisse ali da Praça Clóvis sem que primeiro eu visse, com os meus próprios olhos, se a mulher e as duas crianças na fila eram quem eu estava pensando. “Pega, ladrão!” – desta vez foi bem perto e eu pensei: - Roubaram um comerciante e este ônibus está roubando a minha mulher e os meus dois filhos. Forcei as canelas, avancei mais uns metros, mas já não adiantava. O ônibus partiu. E eu parei, botando as tripas pela boca, uma dor imensa no coração. Fui agarrado.

- Volta, volta! – me debato, esperneio, imploro. – Estou me endireitando, estou ganhando dinheiro outra vez, faço negócios, compro confecções aqui e vendo no norte do Paraná – me sacolejo dentro das malhas, uma rede de malhas: os braços. – Semana passada ganhei um dinheirinho em Londrina, parei de beber, agora trabalho duro, volta – um alicate na minha barriga, um arrepio, um estremeço. – Volta, serei outro homem para você, serei outro Nelo, me perdoa, volta – um trompaço, mexem em meus bolsos, onde está a arma? – Não aguento mais, quero ver os meus filhos, quero acordar todos os dias e ver os meus filhos – me apalpam, me beliscam, os faróis me atordoam, o povo me rodeia, todo mundo quer ver, o que foi que houve, um ladrão. – Volta, volta, pelo amor de Deus.

Comecei a chorar.

- Confessa, você ia raptar os meninos.

- Confessa, você ia matar sua mulher.

Olá, Zé do Pistão, quanta honra. A que devo essa surpresa?

Ele mesmo, o baiano. O primeiro emprego que arranjou na vida foi por meu intermédio. Cobrador de ônibus: Penha – São Miguel Paulista. Depois virou polícia. Depois roubou a minha mulher e os meus filhos. – Onde está o revólver que você comprou para me matar? – Zé me revista, me alisa, me aferroa. Não sei como, qual foi o milagre, mas consegui dar uma joelhada em sua barriga. Então eles me pegaram pela cabeça e pelo pescoço e bateram a minha cabeça no meio-fio da calçada.

- Confessa, você é ladrão.

- Confessa, você é vagabundo.

- Confessa, você é marginal.

Eu disse não, não, não.

Não.

Marginal: uma avenida larga, margeando o Tietê.

Tietê: águas escuras, fundas. Tietetânicas.

Ao fundo, a cidade de São Paulo.

Eles continuaram batendo e já era tarde e não havia mais ninguém na rua e o homem que acendeu a luz e chegou à janela ficou só olhando, e eu gritei: - É mentira. É tudo mentira.

- Confessa corno.

Papai apareceu de novo, só a mão dele, agora sem o chapéu. A mão de papai vinha voando e eu pensei: vai me estrangular. Fechei os olhos.

Não, não, não, não.

Ao longe, as sirenas tocam – lá vem o Pronto Socorro. As sirenas agora tocam mais perto, mais perto – é o meu socorro. Mas as ambulâncias passam, não param. Um dos homens deu a ordem para não pararem.

- Confessa corno.

Tocam um bolero. Estou dançando. Zé do Pistão está na frente do palco, magro, se contorcendo, com o paletó aberto, a camisa empapada de

suor. Um baile em Itaquera. Sábado, à noite. As pessoas rodam. O salão roda. Minha cabeça roda. – Você é daqui? – ela sussurra, suave, luminosa, como a música. – Não, eu moro em São Miguel Paulista. Silêncio, espera. Círculos de nuvens brancas, piso nas nuvens, machuco um pé. Dificuldades, vergonha: - Me desculpe. Não, não tinha importância, foi ela quem errou o passo, fazia tempo que não dançava, entende? Eu também, eu também. Que nada, você dança otimamente. Agora minhas pernas bambeiam de vez, estou perdido. – Como esse cara toca – ela diz. – Ele é meu primo, eu digo. O cobrador de ônibus Zé tocava pistão aos sábados, nos bailes das redondezas, depois virou polícia e esqueceu o pistão, e eu digo tenho o prazer de lhe apresentar o maior artista do Junco e ela ri e pergunta onde diabo fica isso, quer dizer que vocês são baianos, não parecem com os baianos, não têm a cara amarela e espinhenta como os outros e têm os cabelos bons, minha cabeça rola, o mundo roda, aperto o seu corpo, cheiro de mulher, corpo de mulher, aperto o seu corpo para sempre, para sempre.

Eles estão mijando na milha cara e eu estou tomando um banho de riacho lá em casa, as águas do riacho lá de casa vão para o rio de Inhambupe que vai para o rio tietê, seguro um tronco de mulungu, para não me afogar, o tronco escorrega e escapole, desço ao fundo, enfio a cara na lama, volto à tona, estou me afogando: - Socorro.

- Confessa, corno.

O par de chifres cresce na minha testa, vira um galho imenso, florido, flores vermelhas, lindas, radiantes à luz da manhã. Agora o galho pesa, não me aguente em pé. Caio. – Cortem logo essa porra de vez.

- Não temos pressa – eles disseram.

O mijo escorre quente e fedido, é a chuva que Deus mandou na hora certa, viram como foi bom a gente plantar no dia de São José? Ajudei papai a plantar feijão e milho, eu, mamãe, as meninas e os trabalhadores, e todo dia eu acordava mais cedo, para ver se a plantação nascia, era bonito ver uma plantação nascendo, e mais bonito ainda era vê-la crescer, as folhas e abrindo, orvalhadas, de manhazinha.

- Aonde você escondeu o dinheiro, ladrão?

Não, não, não, não.

Mijo: cerveja. Sonho: alívio.

Eles se aliviam sobre mim, me refrescam. Não podem bater e mijar.

Papai, tomara que tudo melhore, eu penso nisso o tempo todo, tomara que tudo melhore.

Nossos pastos já foram mais verdes, eu sei. Já não temos mais pastos.

Preciso mandar um dinheiro para o senhor comprar de novo a roça e a casa que o senhor vendeu, tomara que tudo melhore.

Faço fé na loteria, toda semana. Jogo, perco, jogo, perco, nunca acerto.

Trabalho duro, tento me regenerar, até parei de roubar, digo, até parei de beber.

Mijo: água. Sonho: calma.

Quantos serão? Não sei. Não os vejo. Uma dúzia, talvez.

O pior deles é esse Zé, que já foi do pistão. Agora mijam de dois em dois. Na minha cara. Até o senhor Zé, meu primo. Baiano.

Eu plantei um pé de fícus na porta, já deve estar uma árvore bem grande.

Eu plantei cinco castanhas, nasceram cinco cajueiros, na roça de mandioca.

Um dia ainda mando dinheiro para o senhor comprar de novo a nossa roça.

Se dinheiro eu tivesse, mais eu fizesse, eu queria, creia, eu queria.

Mijo: remédio. Principalmente o de vaca.

Não consigo abrir os olhos, mas sinto que ainda estou vivo.

- Levanta, corno.

Mamãe, quando ela disse aos seus pais que ia se casar comigo, eles se revoltaram:

Todo baiano é negro.

Todo baiano é pobre.

Todo baiano é veado.

Todo baiano acaba largando a mulher e os filhos para voltar para a Bahia.

Mas nós nos casamos assim mesmo. Tivemos dois filhos (um dia ainda lhe mando um retrato de seus netos).

Depois ela fugiu com Zé do Pistão e levou os meus filhos.

Zé está me matando. Eles estão me matando. Deve ser uma dúzia de homens, fardados e armados. Aqui, no meio da rua. Na grande capital.

Dinheiro, dinheiro, dinheiro.

Cresce logo, menino, pra você ir para São Paulo.

Aqui vivi e morri um pouco todos os dias.

No meio da fumaça, no meio do dinheiro.

Não sei se fico ou se volto.

Não sei se estou em São Paulo ou no Junco.

- Levanta, corno.

Eles me mandam dançar um xaxado. Não posso, não aguento, não suporto. Voltaram a me bater.

O homem na janela deve ter saído da janela. Apagou a luz, desapareceu, foi dormir.

São Paulo é uma cidade deserta.

Outra pancada e esqueci de tudo


****





(In English)


They grabbed me by the ears and neck and hit my head against the curb stone. I screamed. I hoped my scream would fill the deserted street, climb the walls of the buildings, enter the apartments, wake up men, women and children, split open the heavy black clouds of the city of São Paulo and disturb the sleep of God: “Help! They’re killing me!”


A light came on after my third scream and a man appeared at a window above. He stood there watching. They kept on smashing my head against the curb. The light pierced my eyes, hard and penetrating, like the pain. Was it a spotlight, a torch, or a star? Just at that moment Papa’s hand appeared, offering me a hat. “Cover your head, then it won’t hurt so much.” I tried to stretch out my arm, but just as I was about to take the hat in my hand, they hit me again.

“You told on me, Totonhim. Now look what happened. You shitty stoolpigeon!”

They laughed. I felt a cold barrel tickling my earlobe.

“Shall I finish him off?”

“Wait a minute.”

“What’ll we do with him afterwards?”

“Throw his carcass in the Tietê River.”

Papa disappeared under the water. The hat floated along on the current.

Between the peaceful banks, dark, stinking water.

Tietanic water.

Cold winds, strong men: from the North and the South.

Hold your nose and good luck.

“I didn’t do anything, I swear to God.”

Pieces of my skull scattered over the sidewalk. They kept on hitting me.

“Hand over the money, you thief!”

“I’m not a thief. You can kill me, but I’m no thief.”

“So show me your identity papers.”

“I left them at home, I told you.”

At first it was only a dream.

I was running toward the bus terminal when they cried, “Stop, thief!” I didn’t hear them. But even if I had, I would never have imagined they were yelling at me. I kept on running and again they cried, “Stop, thief!” I dodged cars, jostled into people, bumped against lampposts, still running. I couldn’t let the bus leave Clovis Square without seeing if the woman and two children waiting in line were who I thought they were. “Stop, thief!”—this time it was very close and I thought, somebody must have robbed a shopkeeper; and this bus is stealing my wife and kids. I forced my legs to go faster, advancing a few yards, but it made no difference; the bus had left. I stopped running, my chest nearly bursting, a huge pain in my heart. They grabbed me. “Come back, come back!” I struggle, kick, plead. ‘‘I’m getting myself straightened out, I’m earning money again, I’m doing business, I buy clothes here and sell them in the north of Paraná . . .” I stumble among the suitcases, a barricade of suitcases. “Last week I earned a lot of money in Londrina. I stopped drinking. Now I’m working hard, come back!”—a kick in the belly, a gasping shudder.

“Come back, I’ll be a different man, I’ll be another Nelo, forgive me, come back!” A hard shove. They’re going through my pockets, where’s the gun? “I can’t stand it any more, I want to see my kids, I want to wake up every morning and see my kids . . .” rough hands search me, slap me in the dizzying headlights. People crowd around; a thief’s been caught, everyone wants to see what’s going on. “Come back, come back, for the love of God!”

I begin to cry.

“Confess—you were going to kidnap the children.”

“Confess—you were going to kill your wife.” Well, hello, Zé the trumpet player, what an honor. To what do I owe this pleasant surprise?

It was him, the Baiano. I’d helped him get the first job he ever had. He was a bus conductor on the Penha-São Miguel Paulista line. After that he joined the police. After that he took my wife and two kids. “Where’s the revolver you bought to kill me with?” Zé frisks me, pats my cheek, then slaps me hard. By some miracle, I manage to knee him in the belly. Then they grab me by the ears and the neck and pound my head against the sidewalk.

“Confess—you’re a thief.”

“Confess—you’re a bum.”

I say No, no, no.

A wide avenue running along the banks of the Tietê River.

Dark, deep waters. Tietanic waters.

At the bottom, the city of São Paulo.

They kept on hitting me and it was very late and there was nobody left in the street and the man who had turned on the light and come to the window did nothing but watch, and I screamed: “It’s a lie! It’s all a lie!”

“Confess, cuckold.”

Papa appeared again—just his hand, now without the hat. Papa’s hand came flying towards me and I thought: he’s going to strangle me. I closed my eyes.

No, no, no, no. In the distance sirens whine: here comes the Rescue Squad. Their sound grows closer and closer—they’ve come to help me. But the ambulances go by without stopping. One of the policemen has ordered them to go on.

“Confess, cuckold.”

They’re playing a Bolero; I’m dancing. At the front of the stage is Zé the trumpet player, skinny and writhing, his coat open and his shirt soaked with sweat. A Saturday night dance in Itaquera. People circulate on the dance floor. The room revolves. My head spins. “Are you from around here?” she whispers, soft and luminous, like the music. “No, I live in São Miguel Paulista.” Wait, be quiet. Rings of white clouds; I step on the clouds, I step on her foot. Embarrassment: “Excuse me.” No, no, it didn’t matter, it was her fault, it had been a long time since she had danced. Same with me. Oh, not at all, you dance beautifully. This time my legs refuse to hold me up, I’m lost. “That guy can really play,” she says. “He’s my cousin,” I reply. Zé the bus conductor played the trumpet on Saturdays at the dances round about. Then he joined the police and forgot about the trumpet. At intermission time he came to our table, the girl was already with me at the table and I said, May I have the pleasure of introducing you to the greatest musician in Junco and she laughed and asked where the devil is that, you mean you’re Baianos, you don’t look like Baianos, you don’t have yellow faces and spots and your hair is nice and straight. My head spins, the world spins, I embrace her, the smell of a woman, her woman’s body, I hold her close forever, forever.

They’re pissing on my face, and I’m swimming in the stream near our house, the waters of that stream flow into the Inhambupe River, which flows into the Tietê. I hold onto a mulungu trunk so as not to drown, kicking my legs slowly in the water, unhurried, unafraid of drowning. The trunk slips out of my grasp and I sink to the bottom; the mud sucks at my face. I fight my way up to the surface. I’m drowning: “Help me!”

“Confess, cuckold.”

A pair of horns grows on my forehead and turns into a huge flowering branch. Beautiful red flowers, radiant in the morning sunlight. Now the branch becomes heavy, I can’t bear to stand up. I fall. “Chop the goddamn thing off.’’

“We’re in no hurry,” they say.

The piss runs hot and stinking down my face, it’s the rain God sent at the right time—you see, we were right to plant on St. Joseph’s Day. I helped Papa plant the beans and corn; me, Mama, the girls and the hired men, and every day I would get up a little earlier, to see if the seeds had sprouted. It was pretty to see the seeds come up, and even better to see the plants grow, the leaves open, dewy in the early morning.

“Where did you hide the money, thief?”

No, no, no, no.

I piss: beer. I dream: relief.

They relieve themselves on me, and it refreshes me. They can’t piss and beat me at the same time.

Papa, I hope things get better. I think about that all the time. I hope things get better.

Our fields were green once, I know. Now we have no fields left.

I need to send money for you to buy back the house and the farm you sold. I hope things get better.

I play the lottery every week. I bet, I lose, I bet, I lose. I never win.

I work hard, I try to reform myself, I even stopped stealing—I mean, I stopped drinking.

I piss: water. I dream: calm.

How many of them are there? I don’t know. I can’t see them. Maybe a dozen.

The worst one of all is that Zé who used to be Zé the trumpet player. Now they’re pissing two by two. In my face. Even my cousin, the Baiano.

I planted the fig tree beside the door, it must be a big tree by now.

I planted five cashew nuts in the manioc patch; five cashew trees came up.

One day I’ll send money for you to buy back our farm, Papa.

If I had more money, I could make more. I want to, believe me, I want to.

I piss: medicine. Mainly for cows.

I can’t open my eyes, but I feel I’m still alive.

“Get up, cuckold.”

When she told her parents she was going to marry me, Mama, they were disgusted.


Baianos are niggers.

Baianos are poor.

Baianos are queers.

Baianos leave their wives and children and go back to Bahia.

But we were married anyway, and we had two kids. (Someday I’ll send you a picture of your grandchildren.)

Then she ran away with Zé the trumpet player and took my kids with her.

Zé is killing me. They’re killing me. There must be a dozen men, armed and in uniform. Here, in the middle of the street. In the greatest of capital cities.

Money, money, money.

Grow up fast, little boy, so you can go to São Paulo.

Here I’ve lived a little and died a little every day.

In the middle of the smoke, in the middle of the money.

I don’t know whether to stay or go.

I don’t know if I’m in São Paulo or Junco.

“Up, cuckold.”

They order me to get up and do a square-dance like we used to do in the country. I can’t, I’m falling down, I can’t. They start hitting me again.

The man at the window has gone. He turned off the light and disappeared, back to bed. São Paulo is a deserted city. A desert.

Another blow and I forget everything

****



EXTRACT FROM NOVEL THE LAND BY ANTONIO TORRES, published in English by READERS INTERNATIONAL

Original language copyright © Antônio Torres 1976 English translation by Margaret A. Neves English translation copyright © Readers International, Inc., 1987, 2020. All rights reserved



O AUTOR

© Guilherme Gonçalves

Com dois romances publicados em inglês (Essa Terra – The Land –, e Balada da Infância Perdida – Blues for a Lost Childhood, ambos pela Readers International), Antônio Torres (Bahia, 1940) é um dos autores brasileiros contemporâneos mais traduzidos. Sua obra passeia por cenários rurais, urbanos e da História.

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