• Capitolina Revista

A flor e o seu protesto

Updated: May 27

Adriana Lisboa




tanto já se falou da flor e o seu protesto

aquela que rompe o asfalto

a que entope os canos dos fuzis

feia ou cravo

ou o cocar do amaranto

(semente-bomba sobre os campos

da Monsanto)


tanto já se usou a flor

em rima pobre em rima rica

ou de classe média

canções e coroas fúnebres

e nos altares às dúzias

e nos falsos pedidos de desculpas


mas o que diz a flor

quando não a tomamos emprestada

para lutas lutos amores

ou metáforas


o que será uma flor

sem significante

nem significado?



Adriana Lisboa. Imagem © Graça Castanheira

Adriana Lisboa nasceu no Rio de Janeiro. Publicou, entre outros livros, os romances Sinfonia em branco (Prêmio José Saramago), Azul corvo (um dos livros do ano do jornal inglês the Independent), Hanói, Todos os santos e os poemas de Parte da paisagem, Pequena música (menção honrosa – Prêmio Casa de las Américas), Deriva. Seus livros foram traduzidos em mais de vinte países. Seus poemas e contos saíram em revistas como Modern Poetry in Translation e Granta.

www.adrianalisboa.com

139 views

STAY CONNECTED

  • Facebook Clean